Hoje, é estabelecido o dia para pensarmos sobre a desigualdade de gênero que atravessa nosso corpo social.
Dessa forma, dentre as dificuldades de ser mulher no mundo, está a violência doméstica com dados impressionantes, mas, obviamente, esse não é o único obstáculo, uma vez que as mulheres vivem com: exploração do trabalho; abusos sexuais, piadas sem nexo; falta de respeito; feminicídios; assédios; violências físicas, psicológicas, patrimonial, moral e sexual; preconceito, e, entre outros.
Com isso, dentro do contexto terapêutico é recorrente mulheres com discurso da sobrecarrega diária tanto nos afazeres domésticos, quanto no trabalho laboral. A exaustação em suas falas é nítida, o estresse só aumenta e gera inúmeros adoecimentos mentais e físicos. Em seus lares, o trabalho não cessa, uma vez que não podem contar com o auxílio dos homens para lavar louça ou fazer o básico. Carregadas de cobranças, sentem-se em um labirinto e buscam encontrar saídas e tempo para conseguirem dar conta de tudo que é imposto e não serem apedrejadas. Algumas dessas saídas é abdicar de prazeres pessoais, pois como já dito, 24 horas é pouco para toda responsabilidade e expectativa que é lançado na vida da mulher desde o seu nascimento.
Assim, ainda no Setting terapêutico, é possível identificar dessas mulheres sentimentos de insufiencia e culpa quando não cumprem com os deveres exorbitantes ou os abusos.
Posto isso, é evidente que existe uma explicita diferença na forma como o masculino e o feminino é abordado em todos os ambientes. No trabalho renumerado, mulheres ocupam menos espaços e, por diversas vezes, só são notadas quando precisam tirar aproveito ou impor poder sobre elas, melhor dizendo, não são valorizadas.
Segundo, o Fórum Social Global, 2002, além da desigualdade as mulheres correm grande riscos de dominação do seu corpo, no serviço : “Um dos riscos para a saúde das mulheres trabalhadoras, que tem sido recentemente objeto de atenção pública, é o assédio sexual, denunciado há muito tempo pelas trabalhadoras asiáticas como política do `Lie down or be laid off’ (`A cama ou rua’)”.
Ou seja, apesar da evolução da espécie humana e de leis que protegem as mulheres, muito precisa ser feito e desconstruído para que o machismo velado e estrutural não permaneca em ambientes sem impunidade ou debates.
O corpo da mulher não pode ser explorado e carece de ser respeitado.
Essa é uma luta necessária e deve sempre estar em pauta, mesmo que procurem calar nossa voz.

 

Ana Karolina Lisboa Arruda | Psicóloga – CRP 09/13751

Tenho cursos como: III Extensão em Cuidados Paliativos, Grupo de estudos em Psicopatologia, LIBRAS nível I, Psicologia Forense, Introdutório I em Gestalt-terapia. Apresentei trabalhos em congressos: O sujeito inserido no contexto de vulnerabilidade social: Drogadição, Gerarte 1: Uma alternativa de recuperação psiquiátrica, orientação profissional, Psicodinâmica do trabalho entre outros. No estágio tive experiência na clínica com atendimento infantil e adulto alicerçado a Gestalt. O meu TCC teve como tema a contextualização do sintoma infantil na Gestalt-terapia, um novo olhar frente ao que a sociedade dita como errôneo